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Bolo rei, uma iguaria com 2000 anos de história

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JANEIRO, 2019

Comunidade
Cultura

Toda a simbologia envolta no bolo mais característico da época, o bolo-rei centra-se num acontecimento epifânico com 2000 anos de existência, de amor e esperança para o Mundo pelo nascimento do Menino Jesus.

Esta doce iguaria representa, segundo a versão lendária, os presentes que os três Reis Magos (Gaspar, Baltazar e Belchior), vindos do Oriente, deram ao Menino Jesus aquando do seu nascimento depois de conduzidos, por uma estrela celestial até ao Menino Jesus, para o adorarem.

Relativamente, à fava que se encontrada dentro deste bolo, a sua origem teve por base uma discussão entre os três reis magos sobre quem seria o primeiro a entregar o presente ao Menino Jesus. Ao chegaram a Belém já perto da gruta onde estava o menino, um artesão que por ali passava ouviu a conversa e propôs pôr fim a esta disputa. Pediu então à sua mulher, que fizesse um bolo e que na massa colocasse uma fava. Todavia, a mulher não se limitou a fazer um simples bolo, representando nele os presentes que os três homens levavam: a côdea dourada simbolizava o ouro, as frutas cristalizadas simbolizavam a mirra e o aroma do bolo assinala o incenso. Depois de cozido o bolo foi repartido em três partes e àquele a quem saiu a fava foi efetivamente, o primeiro a oferecer os presentes a Jesus. Assim, este dilema ficou solucionado, embora não se saiba qual foi o feliz contemplado.

Do ponto de vista histórico, a prática da fava já era um costume entre os romanos nos seus banquetes das Saturnais (realizadas em dezembro), durante os quais se procedia à eleição do “Rei da Festa”, também designado “Rei da Fava”. Por conseguinte, a Igreja Católica vem a transmutar esta tradição, dando-lhe um cunho divino, e decide relacioná-la com a Natividade e com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro. Na Idade Média, a Igreja vem determinar que o dia 6 fosse designado por Dia de Rei, assim como fosse simbolizado por uma fava introduzida num bolo, cuja receita original se desconhece atualmente.

Quanto à receita do bolo-rei atual, este terá surgido na corte de Luís XIV, em França, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis. Em Portugal, só terá chegado e popularizado no século XIX, baseado numa receita originária do sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa lêveda. A primeira casa em Portugal, onde bolo-rei surgiu, foi a Confeitaria Nacional em Lisboa, por volta de 1870.

Todavia, com a proclamação da República, a 5 de Outubro de 1910, vieram os piores tempos para o Bolo-Rei, ficando em risco a sua existência, por causa da palavra “rei”, símbolo do poder supremo que tinha sido derrubado. Os pasteleiros para contornarem este problema, pois deixar de fabrica-lo estava fora de questão, mudaram-lhe o nome. Muitas foram as novas designações, umas mais imaginativas e criativas, outras menos, até algumas correlacionadas com novas ideologias republicanas, entre elas: “bolo de Natal” ou “bolo de Ano Novo”, “bolo-presidente” ou mesmo “bolo-Arriaga”. Com o passar do tempo, esta iguaria recuperou o seu nome original.

Atualmente, de norte a sul de Portugal, o bolo-rei é o mais vendido nas pastelarias portuguesas entre o Natal e o dia de Reis. Só na véspera e no dia de Natal, a Confeitaria Nacional, em Lisboa, vende em média quatro toneladas deste doce tradicional.

E como as pequenas histórias também nos deliciam, ensinam e inspiram, seja qual for a “massa” que é composto o seu coração, publicamos ainda aqui um pequeno Conto inédito sobre o Bolo-rei, publicado no Jornal de Almada em 1958.

 

Alexandra Figueiredo

Centro de Documentação das Instituições Religiosas e da Família

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