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Empatia firme nas relações educativas familiares

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FEVEREIRO, 2018

Infância

Num dos encontros temáticos, que decorreram durante o mês de Janeiro nos Equipamentos de Infância, a socióloga Dra. Mariana Cortez conversou com os pais e deixou-os a pensar sobre o tema “Empatia Firme – Sim ou Não?”, amor e autoridade, afeto e disciplina, como devem ser conjugados estes conceitos na Educação dos mais pequenos?

Num mundo em constante mudança e em que a globalização promoveu a internacionalização e interdependência de todos os serviços e pessoas, é natural que os modelos educativos apresentem fragilidades e controvérsias. Segundo um antigo provérbio africano é necessário toda uma aldeia para educar uma criança. Essa “aldeia” nas sociedades contemporâneas é global e caracteriza-se pela sigla V.U.C.A. (Vulnerability, Uncertainty, Complexity and Ambiguity).

Durante a infância, os círculos identitários mais marcantes (grupo familiar, escola, grupo de pares, meios de comunicação social e comunidade) contribuem para o esquema fundamental da identidade, sendo este período denominado de “socialização primária”. Um dos primeiros mundos de interação da criança é a estrutura familiar à qual cabe proporcionar-lhe a segurança necessária ao desenvolvimento harmonioso, equilibrado e acolhedor, mas também ser capaz de a levar, gradualmente, a tornar-se independente e a integrar-se no meio social exterior: “A família assume, então, as funções de socialização primária, que consiste em transmitir características humanas básicas tais como o afecto, a linguagem ou as interacções sociais, assim como as particularidades próprias do grupo cultural ou familiar, tais como crenças, valores e critérios morais”.

Perante as (in)certezas e (in)seguranças do mundo atual, a família encontra-se em constante desafio educativo e balança, muitas vezes, entre uma disciplina autoritativa – que algumas estruturas familiares entendem como necessária para fazer frente a esta complexidade – e um afeto sem limites e sem balizas, traduzido numa permissividade.

“… a estrutura familiar à qual cabe proporcionar-lhe a segurança necessária ao desenvolvimento harmonioso, equilibrado e acolhedor, mas também ser capaz de a levar, gradualmente, a tornar-se independente e a integrar-se no meio social exterior…”

Os conflitos educativos e as tensões inerentes a esta responsabilidade educacional são comuns, e não há “receita” milagrosa que se aplique a todas as situações, principalmente porque cada ser humano é único, irrepetível e insubstituível.

No entanto, sabemos que os limites são importantes e que os afetos e ternuras são indispensáveis para o crescimento pessoal e sociocultural equilibrados. Uma criança “mimada” e/ou ansiosa com comportamentos indisciplinados em demasia, procura a atenção e uma busca de limites para se (re)conhecer dentro da estrutura familiar e, obviamente, social.

Para nos desenvolvermos como cidadãos participantes do mundo global e glocal, necessitamos de experiências e laços emocionais vividos e sentidos por nós, mas com os outros, mediadas pelo meio circundante. Referimo-nos ao conceito de empatia entendido como o posicionamento de compreensão do outro, mas sem nos diluirmos e perdermos a nossa própria identidade pessoal (Sanchez, 2014). É neste sentido que se advoga que a família, embora compreendendo a criança nas suas diferentes dimensões, não pode deixar de assumir as suas responsabilidades educativas, sob pena de não lhe proporcionar o devido e necessário crescimento harmonioso e equilibrado.

Os papéis e funções que são atribuídos ao grupo familiar desde os primórdios da humanidade continuam a ser imprescindíveis e requerem criatividade constante. O amor incondicional não exclui necessariamente a assertividade e autoridade, num pressuposto de negociação firme de limites e barreiras, para que cada elemento da família possa usufruir e viver o seu papel social diferenciado, sem confusão e/ou troca do mesmo. Daí a noção de empatia firme em que se co-criam sinergias e laços de entendimento e reconhecimento do melhor que os educandos e suas famílias possuem (Goffee & Jones (2000) cit. em Sevilhano, 2015:22), num equilíbrio e balanço constantes entre afeto e disciplina.

Não existe uma resposta única para as questões da vida…Cada família tem de procurar, de descobrir, de construir a sua… utilizando, se possível, a política dos “H’s”– Humildade – Humor – Humanidade.

 

 

Mariana Grazina Cortez

 

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O Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro é uma IPSS de matriz católica. Nasceu há mais de 40 anos no seio da comunidade paroquial da Cova da Piedade, com o objectivo de responder às necessidades sociais existentes.
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