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As melhorias económicas dos últimos anos em Portugal não chegam às famílias carenciadas de Almada

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ABRIL, 2018

Comunidade
Instituição
Ação Social
Solidariedade
Almada

Os programas de ação social existentes revelam-se insuficientes para colmatar as necessidades. A “Cantina Social” que vigorou durante cerca de quatro anos prevê-se ser substituída pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) que tem funcionado de forma deficiente e que, de facto, não está acessível a toda a população anteriormente abrangida pela cantina social. Também o Banco Alimentar Contra a Fome tem diminuído as quantidades de produtos alimentares entregues.

É pela existência destas respostas sociais que as famílias recorrem ao nosso auxílio, no entanto, o número de pessoas carenciadas é grande e torna-se difícil conseguirmos entregar os bens alimentares necessários para a sua subsistência pois os produtos que nos chegam não são suficientes face à quantidade de pedidos de ajuda. Como consequência a Paróquia tem redobrado o esforço para atender não só as famílias beneficiadas pelos referidos programas, mas também às necessidades das famílias que não estão abrangidas por nenhum programa e passam por grandes dificuldades.

É pela existência destas respostas sociais que as famílias recorrem ao nosso auxílio, no entanto, o número de pessoas carenciadas é grande e torna-se difícil conseguirmos entregar os bens alimentares necessários para a sua subsistência pois os produtos que nos chegam não são suficientes face à quantidade de pedidos de ajuda. Como consequência a Paróquia tem redobrado o esforço para atender não só as famílias beneficiadas pelos referidos programas, mas também às necessidades das famílias que não estão abrangidas por nenhum programa e passam por grandes dificuldades.

Apesar da taxa de desemprego ter descido em Portugal, no último ano, a falta de emprego ainda é uma realidade que afeta muitas famílias na sociedade portuguesa. Uma realidade que consequentemente leva a carências sociais, em última instância, a casos desumanos de fome e pobreza elevada.

Na Cova da Piedade, em Almada, não se consegue fugir a esta problemática e os casos de famílias, em situações de grande fragilidade económica, chegam diariamente até à nossa Instituição, Centro Social e Paroquial Padre Ricardo Gameiro, e Paróquia da Cova da Piedade a pedir apoio social e alimentar. A ação social é uma das respostas que procuramos dar à comunidade carenciada através da distribuição de bens alimentares. A “Ajuda Fraterna” permite a distribuição de cabazes compostos por produtos entregues pelo Banco Alimentar e oferecidos pela comunidade da Paróquia da Cova da Piedade. Com a parceria da Segurança Social conseguimos dar refeições já confecionadas através da “Cantina Social” e ainda com o Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) distribuímos igualmente produtos alimentares, duas vezes por mês, às famílias.

Cerca de 108 famílias beneficiam do nosso apoio alimentar, contabilizando um total de 242 pessoas que, todos os meses, dependem da nossa ajuda para conseguirem “sobreviver” com os fracos rendimentos que têm. Por vezes, apenas uma refeição, um pacote de massa, de arroz ou atum, podem fazer a diferença para muitas famílias que veem as suas vidas condicionadas por uma sociedade que, em muitos casos, não facilita o acesso ao emprego e as limita e impede de viver com dignidade.

Desemprego por doença, idade, fraca escolaridade ou falta de experiência profissional, dificultam a obtenção de trabalho e levam a difíceis situações económicas. Ouvimos a opinião de algumas pessoas, que recorrem ao nosso apoio alimentar, sobre a situação em que se encontram e a razão de estarem nestas condições.

Testemunhos do nosso Apoio Alimentar
“Sobreviver” com ajuda

Uma das beneficiárias do POAPMC (“Maria”) tem 45 anos, é divorciada, doente oncológica e vive com o filho de 18 anos. Sobrevivem com a pensão de alimentos do filho e com o Rendimento Social de Inserção (RSI), pagando as despesas da casa, medicação, alimentação e os estudos do filho. Nada lhe sobra ao final do mês. “Maria” esteve vinte e dois anos sem atividade profissional, era casada e dependia financeiramente do marido, divorciou-se e ficou numa situação económica muito complicada devido também aos seus problemas de saúde, por ter incapacidade física (cerca de 64% diagnosticada) não consegue trabalhar, sendo esta a sua realidade «tenho muitos problemas de saúde e a idade também não ajuda, não tenho muitos estudos e as condições para trabalhar são nenhumas» referiu a mesma, que conta com o apoio alimentar dado pela nossa Instituição, todos os meses, através do POAPMC (apoia 20 famílias – 51 pessoas).

José Nascimento, beneficiário da “Ajuda Fraterna” (apoia 67 famílias – 160 pessoas) conheceu a dura condição de “sem-abrigo”, de “sobreviver” nas ruas. Chegou até à nossa Instituição através do GIP (Gabinete de Inserção Profissional), outra das respostas sociais que temos para encaminhar e orientar as pessoas que se encontram no desemprego, a conseguirem trabalho. Além da ajuda alimentar, José Nascimento conseguiu trabalho através do GIP e das Técnicas que sempre o acompanharam «nunca me viraram as costas, era aqui que se mexiam para me ajudar» afirmou o mesmo que encontrou na nossa Instituição a ajuda necessária para sair da situação em que estava «tirou-me da rua, é o bastante» foram as suas palavras acerca do nosso Centro Social e Paroquial, afirmando que foi aqui que encontrou oportunidade de mudar a sua vida, sendo muito grato por tudo o que fizeram por ele.

Com a “Cantina Social” (apoia 21 famílias – 31 pessoas) entregamos, diariamente, refeições já confecionadas nas nossas cozinhas àqueles que nos procuram. José Rodrigues, 62 anos, encontra-se desempregado há mais de três anos e é com este tipo de auxílio que conta, uma pequena ajuda mas que muita diferença faz no seu rendimento mensal que se resume aos
186€ do RSI que recebe. Para pagar o quarto onde “sobrevive” retira 150€, restando-lhe apenas 36€ para se governar durante todo o mês «vou sobrevivendo mas é muito difícil… com a minha idade já ninguém me vai dar emprego» afirma José sobre a sua situação.

A pobreza na sociedade atual

Estes são apenas alguns casos de utentes que a nossa Educadora Social, Carla Martinho, acompanha no trabalho de Ação Social desenvolvido na nossa Instituição. Ao contrário do que se ouve frequentemente nos meios de Comunicação Social sobre a diminuição do desemprego e melhoria das condições de vida, Carla Martinho afirma que a realidade é um pouco diferente e que todas as semanas chegam até nós pessoas a pedir apoio. Famílias que trabalhavam, tinham uma vida organizada e que, de repente, ficaram sem trabalho ou adoeceram, mulheres que ficam sozinhas com os filhos, trabalhos precários, mal remunerados, reformas baixas e as rendas cada vez mais altas, são os casos apontados pela Educadora Social que considera os pedidos de ajuda diferentes daqueles que recebíamos há anos atrás «vêm pedir mas com vergonha, são pessoas que, noutras situações, nunca viriam recorrer a este apoio» por ser uma novidade o tipo de situação que enfrentam.

“Vêm pedir mas com vergonha, são pessoas que, noutras situações, nunca viriam recorrer a este apoio”

Carla Martinho fala no conceito de pobreza ter sofrido alterações ao longo do tempo, conforme a evolução da própria sociedade e que, hoje em dia, não ter telemóvel é um fator de exclusão social «a pessoa se estiver à procura de emprego não consegue arranjar trabalho porque o empregador não consegue contactar» refere este exemplo, assim como, a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, sendo necessário garantir que as crianças frequentem a escola e nas mínimas condições. Estas são algumas das necessidades básicas do tempo atual que as famílias, por vezes, não conseguem manter e os apoios conseguidos, esses, «não são suficientes» para as suas necessidades, porém é fundamental garantir a sua inclusão na sociedade para que possam viver com dignidade, afirma Carla Martinho acerca dos desafios presentes no trabalho de Ação Social.

“…as pessoas não são números, são pessoas com dignidade, com histórias de vida e que precisam de ser ouvidas, é para isso que estamos cá também”

Paralelamente ao apoio prestado ao nível alimentar, na procura de emprego e no encaminhamento de cada situação familiar,  a Educadora Social realça ainda a importância de dar atenção e ouvir cada pessoa, conhecê-las pela sua história «sabermos quem são estas pessoas, as pessoas não são números, são pessoas com dignidade, com histórias de vida e que precisam de ser ouvidas, é para isso que estamos cá também» reconhecendo que se tornam muitas vezes o «porto-seguro» daqueles que ajudam.

A crise económica e financeira vivida em Portugal deixou marcas e, apesar dos números refletirem algumas melhorias, muitos sentem ainda os seus efeitos, chegando a situações extremas de miséria, fome e pobreza. Apesar do esforço das entidades do Estado e de Instituições da Sociedade Civil, nomeadamente, de IPSS’S como a nossa Instituição, a sociedade em geral não consegue dar resposta às carências sociais e económicas que se fazem sentir, ao nível do desemprego, dos baixos rendimentos e rendas elevadas, fenómeno característico sobretudo das localidades na periferia das grandes cidades. Estas injustiças sociais existem e dificultam a integração e “sobrevivência” destas pessoas na sociedade atual.

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A Instituição

O Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro é uma IPSS de matriz católica. Nasceu há mais de 40 anos no seio da comunidade paroquial da Cova da Piedade, com o objectivo de responder às necessidades sociais existentes.

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