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“O Primeiro Presépio”, Jornal de Almada, 1959

3

DEZEMBRO, 2018

C.Documentação
Livro Mês
Presépio
Comunidade
Almada

A palavra “presépio” do ponto de vista etimológico deriva do latim – da palavra “praesepe”, cujo significado é “estábulo”, “curral” ou “redil”. A tradição de montar o presépio na quadra Natalícia remonta ao ano de 1223, à aldeia de Greccio, em Itália, quando São Francisco de Assis fez o primeiro presépio do mundo. Reza a história que nesse ano, em vez de celebrar a habitual missa de véspera de Natal na Igreja, quis realizá-la na floresta dessa pequena aldeia, da região de Lácio. Na altura, ainda como diácono, foi seu intento levar os aldeões a uma melhor perceção deste evento misterioso do nascimento de Jesus, dado a simplicidade, rudez e inabilitação escolar daquelas pessoas. Deste modo, São Francisco de Assis transportou até a uma gruta existente nesta pequena aldeia, um boi e um burro verdadeiro, encheu uma manjedoura de feno e colocou lá as imagens, em argila, do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. José, como nos relata o artigo do Jornal de Almada, na transcrição do relato de seu amigo e primeiro biógrafo deste Santo, Frei Tomás Celano.

Sem dúvida, o que mais influiu em S. Francisco de Assis foi o desejo de viver com maior realismo e proximidade o nascimento de Jesus e leva-la aos corações dos outros; pois segundo o mesmo biógrafo, ele celebrava com incrível alegria, mais que nenhuma outra solenidade, o “Natal do Menino Jesus”, afirmando-a como a “festa das festas, em Deus, feito um menino pobrezinho”. São Francisco tinha um amor imenso por Jesus, Deus-connosco, que o levou a visitar a Terra Santa e a relíquia da manjedoura em que Jesus teria sido posto ao nascer, e que hoje se encontra em Santa Maria Maior, em Roma.

O curioso é que perante este gesto iluminado tão simples e genuíno de São Francisco, este dia foi elevado a outro “patamar”, digno, nos corações de todos os habitantes da aldeia. E desde então, todos os anos estes imbuídos com a mesma comoção que sentiram na primeira vez, continuaram a montar o presépio naquele lugar, sendo até construída no ano de 1228, uma capela designada Capela do Presépio (no ano da canonização deste Santo).

Este acontecimento elevou Greccio, este singelo lugar onde foi recriado pela primeira vez momento do Nascimento de Jesus, a um ponto de referência para todo o cristianismo; preservando assim, a primogenitura de um símbolo da aspiração dos homens à fraternidade, à igualdade e à paz, erradicando qualquer diferença de raça, religião, status, linguagem ou outras barreiras xenófobas.

O cardeal Ratzinger, antes mesmo de ser eleito Papa, refletiu sobre a nova dimensão que São Francisco veio outorgar à festa cristã do Natal. A descoberta da revelação do «Emanuel»,

Deus-connosco, realizada no Menino Jesus, vem penetrar profundamente nos corações dos cristãos. Portanto, nenhum obstáculo de sublimidade ou de distância nos separa mais d’Ele. Como menino, aproximou-se tanto de nós que podemos tratá-lo sem receio, com simplicidade e total confiança, salientando o seguinte: que “ no Menino Jesus, torna-se patente, mais que em nenhuma outra parte, o amor indefeso de Deus, Deus vem sem armas, pois não pretende assaltar de fora, mas conquistar de dentro, e a partir daí transformar-nos. Se algo pode desarmar e vencer os homens, a sua vaidade, a sua sede de poder ou a sua violência, assim como a sua cobi­ça, é a fragilidade de um menino. Deus escolheu essa fragilidade para nos vencer e para tornar-nos conscientes do que realmente somos. […]

 

Seguindo depois, o exemplo da pequena aldeia de Greccio, muitas outras começaram a montar o presépio em suas Igrejas, e o costume foi proliferando-se pela Europa, durante a Idade Média. Inicialmente com a sua “expressão” nos mosteiros, nas Catedrais e nas Igrejas. E posteriormente, este chegou às casas, somente da realeza e da nobreza, no período do Renascimento. Precisamente, em 1567 com a intervenção da Duquesa de Amalfi – Costanza d’Avalos Piccolomini  (uma poetisa italiana do séc. XVI), que ordena aos seus súbditos a construção e montagem do presépio para representar o Nascimento de Jesus, com a adoração dos Reis Magos e dos Pastores, assim como com o cantar dos Anjos. De acordo com o descrito em seu testamento, este presépio contava com 116 figuras de luxuosa decoração e teria sido guardado em dois baús. Finalmente, só no século XVIII, este costume chegou às casas comuns, disseminando-se progressivamente por toda a Europa e depois aos restantes continentes.

Contudo, foi no período barroco (século XVI-XVII), numa altura mais conturbada do homem ocidental no campo espiritual, pautada pelo dualismo do teocentrismo Medieval e do antropocentrismo do clássico Renascimento, onde os presépios atingiram o seu maior esplendor. Destacando-se, os magníficos presépios elaborados pelos escultores portugueses, Machado de Castro e António Ferreira, repletos de imenso humanismo e imaginação.

No século XIX, o presépio começou a ser um “ornamento” de arte popular na Quadra Natalícia, imprescindível em toda e qualquer casa onde fosse vivido o Natal. Nos dias de hoje, também poderemos aludir que “não há Natal sem a presença de um presépio”, a simbolizar o momento em que o Menino Jesus nasce neste mundo terreno, o preciso momento no qual penetrou no palco da História para nos dar a “Salvação”.

Na noite de Natal deste ano, peçamos a Deus que conceda aos nossos corações a simplicidade que sabe descobrir o Senhor no Menino, tal como São Francisco o descobriu.

 

Alexandra Figueiredo,

Centro de Documentação das Instituições Religiosas e da Família

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O Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro é uma IPSS de matriz católica. Nasceu há mais de 40 anos no seio da comunidade paroquial da Cova da Piedade, com o objectivo de responder às necessidades sociais existentes.

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